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O Livro de Eli - Reflexões sobre a utilização do discurso religioso como instrumento de controle, manipulação e dominação

Estreou nos principais cinemas de São Paulo na última semana de março (e agora nas principais cidades do interior do estado) mais um filme do conjunto de novos trabalhos cinematográficos de Hollywood de temática pós-apocalíptica - The Book of Eli  [O Livro de Eli].

Avaliado por alguns críticos de cinema como uma mera obra dogmática (segundo esses críticos, o filme só "funciona" pra quem partilha convicções cristãs) e por outros como um excelente filme com bom roteiro, atores e boa programação tecnica, O Livro de Eli vem recebendo as mais diversas interpretações por parte do público. Motivo: o filme aponta as Escrituras Sagradas como a única fonte de esperança em um mundo destruido.Além disso, O Livro de Eli é uma saga de alguem que entrega sua vida para protejer um livro sagrado, tão desejado por vilões mal-intencionados cujo propósito é se apropriar de seu conteúdo com a finalidade de dominar, manipular e controlar os sobreviventes em um mundo devastado

Confira abaixo sinopse e trailer do filme

Num futuro não muito distante, cerca de 30 anos após o término da guerra, um homem solitário cruza a paisagem devastada da América do Norte. Cidades abandonadas, viadutos destruídos, crateras no solo — ao seu redor, as marcas da destruição catastrófica. Não há civilização aqui, nem lei. As estradas estão dominadas por gangues que matariam um homem pelos seus sapatos, por um copo d’água… ou simplesmente por nada. Mas eles nem se comparam a esse andarilho. Um guerreiro não por opção, mas por necessidade, Eli (Denzel Washington) só quer viver em paz, porém, se desafiado, ele destroçará seus agressores antes que eles se deem conta do seu erro fatal. Não é sua própria vida que ele guarda tão ferozmente, e sim a sua esperança de um futuro para a humanidade; uma esperança que ele nutre e protege há 30 anos e que está determinado a concretizar. Movido pelo seu compromisso e guiado pela crença em algo muito maior do que ele, Eli faz o que é preciso para sobreviver — e seguir adiante.






Religião é poder - A apropriação do discurso religioso como instrumento de controle, manipulação e dominação

Somente um homem nesse mundo arruinado compreende a força que Eli possui e está determinado a apoderar-se dela: Carnegie (Gary Oldman), o autoproclamado déspota de uma cidadela improvisada de ladrões e pistoleiros. Enquanto isso, a filha adotiva de Carnegie, Solara, (Mila Kunis) fica fascinada por Eli por outro motivo: ele lhe oferece a possibilidade de vislumbrar o que existe além dos domínios do seu pai. Entretanto, não será fácil para nenhum dos dois detê-lo. Nada nem ninguém podem se intrometer em seu caminho. Eli precisa seguir adiante para cumprir com o seu destino e prestar ajuda a uma humanidade devastada.(Sinopse)

A história de Eli é a história de alguem que, ainda que pelo sofrimento, consegue triunfar. Mas não há apenas flores nesse caminho: Carnegie, finalmente, consegue ferir Eli e tomar o seu precioso livro . Porém, tendo-o em suas mãos não  consegue conhecer seu conteúdo. Sua luta pelo acesso ao livro, motivada pela certeza de que a apropriação de um discurso pseudobíblico contribuiria com seu propósito de dominação dos sobreviventes simplesmente se desvanece, e Eli mesmo sem o livro prossegue sua difícil jornada. Chegando ao local onde "a voz" lhe determinou que chegasse, Eli recita os textos bíblicos a um cidadão que o aguardava com a finalidade de reproduzir seu conteúdo, a fim de torná-lo acessivel de forma livre.

O discurso religioso sempre foi um instrumento eficaz na história da humanidade para a condução de pessoas a determinados propósitos, e sem dúvida em nossos dias é o principal instrumento de mobilização das massas em prol de um propósito específico - seja ele benéfico ou não. Infelizmente, não são poucos os que dele se utilizam (assim como Carnegie) com a finalidade de manipular, controlar e dominar os indivíduos.

Embora vivamos essa realidade em nossos dias, e cada vez mais intensa, é preciso vigiar e acautelar-se com suas artimanhas. Mas não é preciso temê-las - na prática são superficiais. Na verdade, seus proósitores nada conhecem da verdade, e por isso jamais poderão resistí-la quando por ela confrontados.

The Book of Eli [O Livro de Eli]  -  assisti e recomendo!

 * Confira outras informações sobre o filme no site oficial (em inglês).

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