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Depois de "Persepolis", a novela gráfica "O Paraiso de Zahra" crítica o regime dos aiatolás

Na semana em que o presidente Lula desembarca em Teerã, uma história em quadrinhos de temática política, que virou sensação na internet, ganha versão em português. (Clique sobre as imagens para ampliar).

"O Paraíso de Zahra" conta a história de uma mãe em busca do filho, Mehdi, desaparecido após um protesto contra as eleições de junho de 2009 que mantiveram o presidente Mahmoud Ahmadinejad no poder.

A graphic novel é criada em tempo real, como uma novela na internet, e sua autoria é mantida sob anonimato.



Isso porque o roteirista iraniano, identificado apenas como Amir, e o desenhista árabe, Khalil, têm medo de que seus familiares no Irã possam sofrer represálias do governo.

Em entrevista à Folha, Amir reconhece que a ameaça nuclear do Irã desvia a atenção da comunidade internacional das violações de direitos humanos que ocorrem no país, e desconfia da aproximação de Lula com Ahmadinejad:

"O Brasil quer ter relevância internacional. Mas é difícil entender por que Lula dá credibilidade diplomática para Ahmadinejad quando sua guarda revolucionária está massacrando o povo iraniano. Ele deveria saber que o presidente iraniano tem mais em comum com Pinochet do que com Allende", avalia ele, que é jornalista e ativista de direitos humanos.

O enredo de "O Paraíso de Zahra" é inspirado na história da estudante Neda Soltan, morta com um tiro no peito durante um desses protestos, em junho de 2009. A cena foi toda filmada e correu o mundo via YouTube em poucas horas para depois chegar aos jornais e à TV como símbolo dos abusos do atual regime iraniano. A instantaneidade com que a internet revelou ao mundo o que os aiatolás tentam esconder deu a Amir e Khalil a ideia de criar uma história em quadrinhos que usasse o mesmo recurso para o mesmo fim.

No site, eles misturam ficção ao desenrolar das questões sociais e políticas do Irã de hoje.

"A internet e suas mídias sociais estão conectando pessoas do mundo todo a eventos ocorridos no Irã. Estamos vendo as primeiras marolas desse movimento surgirem agora. Mas há um tsunami a caminho. E queremos surfar nele!", diz.

"É muito gratificante ver leitores do mundo inteiro postando comentários no site."

A história é traduzida semanalmente para oito idiomas: do persa ao coreano. O português será o nono da lista, publicado a partir da semana que vem.

Quando for finalizada, em agosto de 2011, a história ganha versão em papel. No Brasil, o livro será publicado pela editora Leya.

"O Paraíso de Zahra" segue a trilha aberta por "Persépolis", quadrinhos de Marjane Satrapi que retratam de maneira autobiográfica os períodos pré e pós Revolução Islâmica de 1979.

"Eu amo Marjane Satrapi. Ela deu início a uma nova tradição que dá voz a toda uma geração de iranianos", afirma o autor. "Ela apresentou um novo caminho para histórias do Irã e também revelou que os quadrinhos são grandes rompedores de barreiras de espaço, tempo e linguagem."



Para Amir, o presidente Lula poderia usar sua vista ao Irã, que começa hoje, para romper outra barreira. "Lula deveria exigir a libertação de prisioneiros políticos, a liberdade de imprensa e as eleições livres."

Como "O Paraíso de Zahra" incorpora na trama os eventos do período em que é produzida, Lula corre o risco de virar personagem, por bem ou por mal. (Folha Online)


> Confira semanalmente os capítulos no site oficial O Paraíso de Zahra

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