Pular para o conteúdo principal

A ética deverá guiar as mudanças

Aécio Neves

A espetacular velocidade de transformações do mundo no último século torna qualquer projeção sobre o futuro tarefa quase inimaginável.
Do ponto de vista do Brasil, o salto foi formidável.

Passamos de um vasto país agropastoril, com baixa densidade demográfica, educação restrita à elite, profundo atraso tecnológico e grave dependência econômica para uma economia diversificada; rede de cidades considerável; sistemas de serviços públicos abrangentes; produção intelectual e cultural vigorosa, reconhecida, e uma crescente integração ao mundo globalizado.
As reformas estruturais realizadas nos anos 90 nos permitiram dar passos decisivos para alcançarmos a posição que ocupamos hoje.

Não há como vislumbrar um cenário pessimista para um país sem distensões, com extenso volume de terras agricultáveis, poderosas reservas naturais e potenciais latentes, especialmente no do nosso capital humano.
Mas ainda nos falta, para realizá-los, um inédito e vigoroso senso ético. Não apenas aquele restrito às nossas obrigações de contenção da corrupção e do compadrio.

Mas um senso ético mais amplo que torne generosa e solidária a construção do desenvolvimento nacional.
Se, no século 20, a nossa população e o PIB foram multiplicados, pouco ou quase nada fizemos para alterar nossa profunda e dramática desigualdade social.

Nenhuma outra tarefa será capaz de mobilizar tanto o Brasil dos próximos 90 anos.
Para superar esse fosso, precisamos compreender a construção do futuro não como uma dádiva, mas como conquista coletiva.
Poderemos ser o país dos talentos, se o nosso senso ético nos permitir democratizar a educação de qualidade.

Seremos o grande provedor de alimentos do mundo e representaremos um novo modelo de produção de energia renovável, se a ética nos ensinar a compatibilizar essas vocações à ideia da sustentabilidade.
Seremos uma das mais promissoras sociedades, se a ética nos exigir crescer sem regiões isoladas.

As razões que nos impuseram tantas décadas perdidas são muitas. Todas, no entanto, passam pela discussão ética sobre o nosso próprio destino e projeto de país.
Precisamos responder que Brasil queremos ser e como construí-lo com o trabalho, as crenças e as esperanças de todos os brasileiros.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Ex-genro de David Miranda contará em livro porquê deixou a Igreja Deus é Amor

SERGIO SORA ANUNCIOU EM SEU PERFIL NO FACEBOOK QUE PUBLICARÁ LIVRO  SOBRE SUA SAÍDA DA IGREJA PENTECOSTAL DEUS É AMOR. SEGUNDO ELE, O LIVRO REVELARÁ "COISAS QUE ESTÃO OCULTAS AOS OLHOS DE MUITOS" E  ESTARÁ DISPONÍVEL EM ATÉ SEIS MESES. Sergio Sora em sua igreja no RJ Apontado até então como sucessor e herdeiro natural do trono de David Miranda, de seu púlpito blindado no maior templo evangélico da America do Sul no centro de São Paulo, e de mais de 9 mil igrejas o então presbítero Sergio Sora casado com a cantora Leia Miranda (filha mais nova de David Miranda) foi desligado da Igreja Deus é Amor  em 2005 por acusações de exigir a renúncia de David Miranda da presidência da igreja e por tê-lo submetido a cárcere privado e violência. Sora nega as acusações. Nas últimas semanas em sua página no Facebook Sora divulgou a informação de que decidiu publicar em um livro os principais motivos que o levaram a se desligar da igreja há seis anos, presidida por seu ex-sogro e

Igreja Deus é Amor proíbe “retetés” e outras práticas não ortodoxas em seus cultos

Fundada em 1962, a igreja Pentecostal Deus é Amor do Missionário David Miranda é hoje uma das maiores denominações evangélicas do país. Oriunda dos movimentos de cura divina da segunda safra do pentecostalismo brasileiro, a igreja Deus é amor chega ao limiar de seu jubileu de ouro mantendo as características que a tornaram conhecida: seu modelo de liderança centralizado em uma única pessoa (seu fundador e presidente vitalício); a extrema valorização dos usos e costumes (cujas proibições se estendem a todas as áreas da vida de seus fieis, incluindo a proibição de visitar ou participar de eventos em outras denominações); o forte uso do rádio como instrumento midiático de suporte as atividades desenvolvidas pela igreja (“império” este que agora ameaça ruir diante de recorrentes escândalos envolvendo “laranjas” e novas políticas de concessão de serviços de radiodifusão do governo federal) e a falta de compromisso com o ensino bíblico e teológico formal e sistemático, o que a difere da

Anatomia da Divisão : Os ex-obreiros da Igreja Deus é Amor, as divisões e a fundação de novas igrejas (Parte 1)

Fachada da Sede Mundial da IPDA em São Paulo Sidnei Moura De acordo com os resultados do Censo 2010 divulgados pelo IBGE, a Igreja Pentecostal Deus é Amor, fundada pelo autodenominado missionário David Martins Miranda, chegou ao seu Jubileu de ouro apresentando uma significativa retração no número de fieis. Se comparada a outras denominações que fizeram do discurso milagreiro seu carro-chefe, a IPDA foi a única a apresentar diminuição no número de congregados, diferente de outras denominações como a Igreja Universal do Reino de Deus, a Igreja Internacional da Graça de Deus, a Igreja Renascer em Cristo e a mais recente denominação milagreira – a Igreja Mundial do Poder de Deus, que ao contrário, aumentaram seu número de filiais, de congregados e de efetiva exposição nos meios de comunicação de massa. Conhecida pela valorização exacerbada dos usos e costumes como doutrina primaz, e de sua ênfase em milagres (que lhe rendeu fama e crescimento vertiginoso nos anos 80 e 90 devi