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Realengo, RJ - 07 de abril de 2010


Ruy Castro

Wellington Menezes de Oliveira, o rapaz que abriu fogo contra dezenas de crianças numa escola em Realengo, usou dois revólveres pesados. Levava vários carregadores de munição, cada qual com capacidade para seis balas. Recarregou cada revólver duas vezes. Fez aproximadamente 30 disparos, mas tinha munição para mais.

Wellington estava desempregado. Não se sabe de amigos, e sua família não o via há sete meses. Não tinha fonte de renda. Com que dinheiro comprou -se comprou- os revólveres, a munição e os carregadores? Onde aprendeu a usá-los? Pelo índice de acerto de seus tiros, deduz-se que sabia atirar. Onde treinou? Quem o ensinou?

Aos 24 anos, sua experiência profissional era mínima. Foi "auxiliar de serviços gerais" -pouco mais que um encarregado de limpeza- numa indústria de produtos alimentícios. Levou dois anos para ser promovido a auxiliar de almoxarifado, de onde foi demitido por baixa produtividade. Era apático, distante, antissocial. O assistente social de sua empresa (se é que havia um) não terá se interessado por ele?

Na escola, não jogava futebol com os colegas, não compareceu à própria festa de formatura de 8ª série e nunca foi visto com namorada. Sabe-se agora, pela carta que deixou, que era virgem e não quer que seu corpo -cuja morte antecipou- seja tocado por "adúlteros e fornicadores" sem luvas. Em seu inferno mental, um banho, um lençol branco e ser enterrado ao lado da mãe o redimirão de seus atos -que Deus monstruoso é este com quem ele pactuou um perdão?

Wellington matou as crianças e se matou. Na verdade, já estava morto antes de entrar no colégio, antes mesmo de decidir se matar e talvez ainda antes. O texto da carta com as especificações sobre seu corpo não deve ser seu. Parece coisa de profissionais da pureza, do pecado e das danações eternas.

Folha de São Paulo

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