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O contraditório como valor supremo da democracia



O papel da oposição é fazer oposição desde quando existe governo, ou seja desde sempre. O processo de queda de confiança no governo e nos políticos pelo qual estamos passando também ocorreu em 1991 e se repetiu com menor intensidade em 1998. Nesses dois episódios o PT, então líder supremo da oposição no país, ainda não havia experimentado o poder de governar, e assim foi decisivo no impeachment de Collor de Melo e implacável contra FHC ao levar para as ruas de Brasília o "Grito dos excluídos" com quase 100 mil manifestantes dos ditos "movimentos sociais" capitaneados pelo MST, CUT e outras entidades de classe que na prática funcionam como extensões do PT e da esquerda em geral com faixas "fora FHC". Nessa ocasião, o PT não via o exercício da oposição como golpe e manifestação de ódio, mas como expressão máxima da democracia. 

Mas ai tudo mudou! A oposição virou governo, abandonou algumas bandeiras históricas, comprou apoio político no congresso com o "mensalão" e agora a pouco com o "petrolão" e quando começou a sofrer oposição com a mesma intensidade que a exercia no passado passou a tachar seus opositores de "golpistas", "odiosos" e de todo e qualquer adjetivo que desqualifique o exercício democrático do contraditório. Como se não bastasse, dividiu o pais entre pobres e ricos baseados numa visão ideológica ultrapassada, e vem manifestando de forma explicita sua fome e sede de controlar a imprensa. "Ninguém pretende que a democracia seja perfeita ou sem defeito", dizia Winston Churchill durante o negro e tenebroso tempo da segunda grande guerra, mas a democracia nos seus valores mais nobres não merece o PT. A democracia em seus valores mais nobres clama por respeito.

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