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O presente comunista de Evo Morales

Sidnei Moura

Independente da reação do Papa Francisco ao receber das mãos de Evo Morales um crucifixo talhado sob uma foice e um martelo em madeira, e das reais intenções de Morales em oferecer o presente, o fato é que historicamente o comunismo está para o cristianismo o que o nazismo está para o judaísmo.

Acredita-se que o comunismo foi a ideologia mais sanguinária de todos os tempos, gerou os regimes mais totalitários que o mundo já conheceu e condenou à tortura, à morte e à ignomínia milhões de cristãos por simplesmente declararem a sua fé em Jesus de Nazaré. É notório em todos os lugares por onde Francisco passa os motivos de ter sido escolhido como sumo pontífice: a igreja parece sinalizar uma aproximação com setores que por séculos foram relegados à margem, e se de um lado há conservadores incomodados com a "descaracterização" da igreja, de outro lado setores mais progressistas encaram esse novo momento como uma expressão de vitalidade e dinamismo da instituição.

É possível que no futuro a igreja estabeleça - inclusive com o comunismo enquanto ideologia - uma relação amistosa, mas para isso terá de passar por um processo irreversível. Nos anos 80 e 90, João Paulo II foi figura preponderante no cenário mundial na derrocada do socialismo e fortalecimento do capitalismo; ontem, em terras bolivianas, Francisco fez críticas veladas ao capitalismo ao renegar o consumismo - mola motriz do capitalismo - , e ao propor que o mundo busque "novas estruturas" de poder.

A igreja, perseguida até hoje nos países onde os resquícios do marxismo em forma de estado insistem em considerá-la como o "opio do povo" parece estar disposta a se reinventar atendendo às demandas dos novos tempos. Mas, e o socialismo, estaria disposto também a deixar sua cosmovisão ultrapassada e oferecer uma contrapartida? Ora, mesmo em países onde a democracia floresce e a cada dia se aperfeiçoa como na nossa, é possível encontrar partidos políticos de esquerda e segmentos ideologicos de orientação marxista e socialista que, dentre outros equívocos, insistem em brindar e expressar solidariedade a regimes autoritários comunistas onde os ideais de liberdade nem se quer são conhecidos pelas massas, e mesmo sendo beneficiados nessas democracias pela liberdade de expressão, insistem em propor "negociações" com movimentos religiosos radicais, mas silenciam-se ao assistir ao massacre de cristãos do passado e no presente.

Se toda aproximação é resultante das movimentações de dois polos distantes e opostos, é chegada a hora do marxismo provar se realmente é coerente com as demandas da sociedade moderna.

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