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É possível experimentar uma realidade de falência do humanismo?


Por Sidnei Moura

Assisti ontem ao último episódio da terceira temporada da série "The man in the righ castel" (O homem do castelo alto), série baseada no livro de mesmo nome do escritor norte-americano Philip K. Dick (que eu também fiz questão de adquirir 😁), e adaptado pela Amazon Prime Vídeo, aplicativo concorrente da Netflix.

Na série, a narrativa ficcional parte do principio de que o nazismo venceu, ao lado dos japoneses, a segunda guerra mundial, e assim passou a subjugar o mundo todo. A partir dai, o território dos Estados Unidos foi dividido em três partes: a maior, com capital em Nova Yorque, tornou-se o Grande Reich Nazista americano; no meio, a chamada Zona Neutra, onde não há lei nem governo, e a oeste o chamado Estados Japoneses do Pacífico, com sede em São Francisco, subordinado ao Japão.

Na narrativa entremeada de traições, golpes, dramas e romances, a série apresenta de forma nua e crua a face mais terrível do nazismo: o estabelecimento de uma politica de estado baseada no odio, o controle total dos indivíduos, a perseguição aos judeus, a eugenia, a crença irretorquivel numa raça superior, a doutrinação dos jovens e o solapamento gradativo da cultura americana pela imposição da ideologia política e pratica da cultura fascista do nazismo. A produção da série é tão realista que me peguei em diversos momentos dizendo "não, não!" diante de situações extremamente dramáticas retratadas pela série.

O ponto alto da série é a ação da chamada "resistência" - pequenos grupos formados por cidadãos americanos e descendentes de judeus que viveram e experimentaram a liberdade e a democracia americana antes da guerra, e que agora encurralados pelos nazistas e japoneses, se articulam em ações de sabotagem contra o reich  nazista e o estado japonês americanos, e na distribuição de filmes que mostram uma realidade diferente: nos filmes, cuja produção é envolta em mistério, é retratada a vitória dos aliados na segunda guerra mundial, e acredita-se que tal realidade tenha sido vivida  em uma outra dimensão em um mundo paralelo, e que a conexão entre esses "mundos paralelos" possa trazer esperança num futuro próximo. Uma das grande sacadas da série é a introdução de uma reflexão bastante pertinente para a sociedade atual: é possível experimentar a realidade da falência do humanismo nos dias atuais?

A quarta temporada já foi confirmada pela Amazon, e eu já estou ansioso pela chegada dela!

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