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Timidez é defeito? Uma reflexão sobre o comportamento infantil nos ambientes de socialização

Rosely Sayão


Toda criança  tem o direito de ficar sozinha e quieta.
Toda criança tem o direito de não ser extrovertida, de gostar de brincar com poucos colegas e de não responder a todas as perguntas que os adultos lhe fazem, inclusive -e principalmente- pais e professores.
A criança tem o direito de ser tímida!
Mas, pelo jeito, estamos roubando esse direito dela.
Já faz um tempo que "participar" das aulas na escola, mesmo que seja falando qualquer bobagem, tem sido uma atitude exaltada e incentivada pela maioria dos educadores. Receber muitos telefonemas, convites para festas, para brincar na casa de colegas da escola ou mesmo para viajar no final de semana tem sido tratado como índice de boa socialização. Os pais, em geral, se preocupam quando os filhos, mesmo os menores de seis anos, não são "populares" entre seus pares.
Mas o problema é que, agora, estamos exagerando. Não basta considerar a timidez um defeito: queremos transformar essa característica em patologia, trat…

Exageros em nome da fé [2] – Os modismos do “ministério do reteté”

"Ministério do reteté" em igreja não identificada: manifestação divina ou exageros em nome da fé?
Debora Miranda
Quando me pediram pra que eu escrevesse minha coluna para esta revista *, hesitei em muitos temas e não sabia qual escolher. Queria escrever algo que não apenas preenchesse essa página, mas que fizesse as pessoas pensarem e mudarem de atitude.
Ultimamente estamos vivendo uma onda de modismos espirituais que até parece uma brincadeirinha de criança. Mas é verdade. Existem até grupos de pessoas que se formam para expressar a sua fé dentro de sua moda.
Certa vez ouvi uma pessoa no rádio, que falava assim: Eu quero convidar os irmãos do “decantalabassi”, os irmãos “canelas de fogo”, os do “ministério do reteté” e os do “sapato de fogo” para participarem da nossa vigília...
Que coisa estranha! O que é isso?  Será que esses supostos ministérios são aprovados por Deus? Não seria um modismo apenas? Vejo que são irmãos que se juntaram porque tem algo em comum, que compartilham …

Realengo, RJ - 07 de abril de 2010

Ruy Castro
Wellington Menezes de Oliveira, o rapaz que abriu fogo contra dezenas de crianças numa escola em Realengo, usou dois revólveres pesados. Levava vários carregadores de munição, cada qual com capacidade para seis balas. Recarregou cada revólver duas vezes. Fez aproximadamente 30 disparos, mas tinha munição para mais.
Wellington estava desempregado. Não se sabe de amigos, e sua família não o via há sete meses. Não tinha fonte de renda. Com que dinheiro comprou -se comprou- os revólveres, a munição e os carregadores? Onde aprendeu a usá-los? Pelo índice de acerto de seus tiros, deduz-se que sabia atirar. Onde treinou? Quem o ensinou?
Aos 24 anos, sua experiência profissional era mínima. Foi "auxiliar de serviços gerais" -pouco mais que um encarregado de limpeza- numa indústria de produtos alimentícios. Levou dois anos para ser promovido a auxiliar de almoxarifado, de onde foi demitido por baixa produtividade. Era apático, distante, antissocial. O assistente social de sua…

Orgulho? De que?

Giul Cavasin
“Acabou nosso carnaval / Ninguém ouve cantar canções/ Ninguém passa mais brincando feliz”.
É, agora ninguém mais brinca de ser rei ou rainha, menestrel ou jogralesa.
Todo mundo abaixa a cabeça diante do peso da realidade. Ninguém mais joga confetes nem serpentinas para dar mais brilho ao baile de carnaval. Todos voltam a reclamar das coisas cotidianas, falar que tudo é culpa do governo, tomar conta da vida alheia... Todos voltam a prestar atenção nas coisas que realmente precisam de atenção.
Na quarta-feira, todos voltam ao trabalho, quer estejamos bem ou não. Mas o Brasil só volta mesmo na quinta, com exceção da Bahia, que tem um carnaval por ano e dura o ano todo. Acabado esse samba todo, esse axé, esse funk, entre outros ritmos que se toca nas festas de carnaval, onde fica o nosso orgulho de sermos brasileiros?
Pois, claro que o Brasil se orgulha de ser reconhecido mundialmente como “país do carnaval”, “país do futebol”. ...  Talvez também devesse se orgulhar por ser 16° no ran…

O Vaticano e a responsabilização dos judeus pela morte de Cristo

Uma decisão histórica tomada pelo papa Bento XVI no dia de ontem (03/03) sobre a responsabilidade dos judeus pela morte de Cristo chamou a atenção da comunidade internacional, de cristãos e de judeus ao redor do mundo. Em uma declaração oficial, o Vaticano divulgou em nota que, após reflexão baseada nos textos dos evangelhos, Bento XVI chegou a conclusão de que não há apoio teológico para a responsabilização do povo judeu pela crucificação, sofrimento e morte de Jesus Cristo, tese defendida arduamente pela igreja católica até o ano de 1965, mas que foi totalmente rejeitada agora em texto publicado pelo papa em um documento que será transformado em livro e publicado em 7 idiomas em todo o mundo. Trata-se de um tratado de reflexões sobre vida, sofrimento e paixão de Cristo, e de  acordo com o texto, embora os líderes religiosos da época tenham entregado Cristo a morte, o povo judeu como um todo não pode ser teologicamente responsabilizado pela morte de Jesus, o que torna o antissemitism…

A ética deverá guiar as mudanças

Aécio Neves
A espetacular velocidade de transformações do mundo no último século torna qualquer projeção sobre o futuro tarefa quase inimaginável. Do ponto de vista do Brasil, o salto foi formidável.
Passamos de um vasto país agropastoril, com baixa densidade demográfica, educação restrita à elite, profundo atraso tecnológico e grave dependência econômica para uma economia diversificada; rede de cidades considerável; sistemas de serviços públicos abrangentes; produção intelectual e cultural vigorosa, reconhecida, e uma crescente integração ao mundo globalizado. As reformas estruturais realizadas nos anos 90 nos permitiram dar passos decisivos para alcançarmos a posição que ocupamos hoje.
Não há como vislumbrar um cenário pessimista para um país sem distensões, com extenso volume de terras agricultáveis, poderosas reservas naturais e potenciais latentes, especialmente no do nosso capital humano. Mas ainda nos falta, para realizá-los, um inédito e vigoroso senso ético. Não apenas aquele restr…

A crise política no Egito e os provaveis resultados do embate

A revolta no Egito e os tolos politicamente corretos
O  Egito está dando passos largos para se transformar numa ditadura fundamentalista islâmica, depois de passar, porque isso faria parte da pantomima, por um ritual eleitoral. Esse caminho é conhecido. A imbecilidade dominante na imprensa ocidental — na brasileira, então, chega ao paroxismo —  acredita que se trata de um movimento popular espontâneo, liderado por pessoas que não agüentam mais as injustiças sociais e a ditadura e resolveram dar um “basta!”. É uma análise cretina. 
O fato de o Egito ser governado por um ditador, desprezível como todos, e de as injustiças serem grandes não muda o caráter do que vai nas ruas. O tal “Movimento 6 de Abril”, liderado “por jovens”, segundo a boçalidade influente, é, além de irrelevante, uma boa fachada. Quem comanda as ruas é a Irmandade Muçulmana, aquele mesmo grupo de onde saiu, por exemplo, o Hamas, que governa a Faixa de Gaza. A propósito: em Gaza,  ninguém pede democracia, não é mesmo? Pr…