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O sono da razão

As lições de Goya e a teologia na igreja evangélica brasileira

Luiz Sayão

Francisco de Goya foi um dos grandes expoentes da pintura espanhola. No final do século 18, o pintor romântico fez história ao deixar-nos seu famoso quadro, o Sonho da Razão.  Nele, Goya expressa o que marcou muito a sua existência: o sonho da razão produz monstros. Os anos passam e os contextos se multiplicam, mas as lições de Goya e sua obra ainda nos atingem. 
Não há como negar que nós evangélicos estamos diante do “Sono da Reflexão Teológica”. É o nosso“sono da razão”. É claro que não se deve ingenuamente pensar que um mundo racionalista e iluminista nos traria um mundo melhor. O nosso mundo “civilizado” e “evoluído” tantas vezes comprovou como isso é fatal e desolador. Hoje vemos uma efervescência evangélica no Brasil que impressiona. Alguns até sugerem que em breve metade do país será evangélico. Todavia, o multiforme mundo evangélico precisa amadurecer e crescer na direção certa. Para isso é preciso “despert…

A dignidade feminina resgatada pelo cristianismo

Gutierrez Siqueira
A França proibiu o uso de burcas no espaço público. A burca é uma vestimenta feminina muçulmana que cobre todo o corpo, inclusive os olhos com uma fina tela de pano. Este texto não é sobre a polêmica proibição do governo frânces, mas sim para falar como a fé cristã libertou as mulheres de muitas opressões. 
Costumamos ouvir dos secularistas radicais que toda desgraça no mundo é culpa do Cristianismo, mas eles esquecem os grandes benefícios civilizatórios trazidos pelos cristãos no decorrer dos séculos. As feministas, por exemplo, detestam a fé cristã considerada por elas como machista. O teólogo Timothy Keller escreveu sobre a nova visão feminina advinda com o Cristianismo primitivo:
Esta declaração pode surpreender muitos leitores que ouviram dizer que religiões mais antigas e o paganismo tinham uma visão mais positiva quanto às mulheres do que o Cristianismo. Era extremamente comum no mundo greco-romano livrar-se de bebês do sexo feminino deixando-os morrer por expo…

Vaticano apresenta em exposição documentos da excomunhão de Martinho Lutero e confissão dos templários pela primeira vez na história

O processo de Galileu, a excomunhão de Martin Luther, passando pela "confissão" dos Templários: pela primeira vez o Vaticano revela ao público alguns de seus inúmeros segredos
O processo de Galileu, a excomunhão de Martin Luther, passando pela "confissão" dos Templários: pela primeira vez o Vaticano revela ao público alguns de seus inúmeros segredos, numa exposição excepcional, aberta nesta quarta-feira (29) nos museus do Capitólio, em Roma.
No total, mais de cem documentos originais foram selecionados, por ocasião dos 400 anos de criação desses arquivos secretos, pelo Papa Paulo V.
Intitulada "Lux in arcana" ("Luz sobre os segredos" em latim), a exposição permite ao visitante descobrir a pedido de anulação do casamento de Henrique VIII e Catarina de Aragão, e o "dictatus Papae" de Gregório VII, um manuscrito do século XI afirmando a supremacia dos papas sobre todos os outros poderes na terra.
Além do processo de Galileu e a bula de ex…

Parâmetros e princípios da verdadeira adoração

Samuel Rindlisbacher
“Invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás” (Sl 50.15). Muitos conhecem essa passagem popular do Salmo 50, mas seu contexto na Bíblia merece ser levado em consideração. O tema central do Salmo 50 é a adoração verdadeira a Deus, o legítimo louvor ao Senhor, o louvor que Lhe é agradável.

A verdadeira adoração na Criação
Adoração verdadeira começa com a Criação: “Fala o Poderoso, o Senhor Deus, e chama a terra desde o Levante até o Poente” (v.1). A real finalidade da Criação é louvar a Deus. É o que nos diz o Salmo 19.1: “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos”.
A verdadeira adoração revela a grandeza e a glória de Deus
“Desde Sião, excelência de formosura, resplandece Deus. Vem o nosso Deus e não guarda silêncio; perante ele arde um fogo devorador, ao seu redor esbraveja grande tormenta” (vv.2-3).
A verdadeira adoração sempre inclui e exprime a grandeza e a glória de Deus. Isso pode ser observado nas …

Oscar, nostalgia e crise de identidade

Luiz Zanin
Quem ganha o Oscar? O filme francês que homenageia o cinema americano ou o filme americano que homenageia o cinema francês? Claro, sempre pode haver zebra. Mas o mais provável é que um dos dois, ou O Artista (dez indicações) ou A Invenção de Hugo Cabret (11 indicações) leve o Oscar principal na noite de hoje.
Se isso acontecer mesmo, tudo seguirá um script coerente, mas que indica, talvez, a existência de algo mais profundo sob a banalidade da superfície. Qual seria esse ponto comum? Os dois filmes falam, por caminhos e estilos diversos, da mesma coisa. Celebram o cinema, ou pelo menos, um tipo de cinema. E o fato de serem os grandes finalistas talvez aponte para uma crise de identidade nessa arte já mais que centenária. A Academia de Hollywood, uma espécie de termômetro ou inconsciente coletivo do cinema, em sua vertente dominante, pode ter intuído o que esses filmes têm de comum, e os levado até o fim da disputa como os favoritos por representarem suas próprias inquietaçõ…

Influências nazi-fascistas de valorização da expressão nacionalista no carnaval brasileiro

Gabriel Novis
Pesquisei sobre as origens do Carnaval no pai dos burros – doutor Google -, no livro de Leandro Narloch e em fontes alternativas. Interessei-me pelo lado, propositalmente esquecido, das folias de Momo.Existem pesquisadores que acham possível enterrar uma história. É fascinante a procura de uma segunda opinião, como se faz diante de um caso complexo na medicina.
Diz o Narloch que “um traço comum no carnaval de diferentes épocas e países, é o de virar as regras pelo avesso. Escravos e seus senhores, na época da festa considerada pagã, invertiam os papéis: por um dia, eram os servos que mandavam.”
“As pessoas comuns faziam missas e procissões cômicas no lugar dos padres, onde guiavam as cerimônias religiosas e personagens bizarros, como o Rei Momo. A ordem era tirar um sarro dos costumes da época dessas festas pagãs da Roma Antiga.”
Prossegue o pesquisador: na maior parte da história do Brasil, o nosso carnaval foi uma algazarra deliciosamente sem noção. “Quem regulou essa …

Sousa Mendes e a preservação de famílias judias e de outras nacionalidades no Holocausto Nazista

André Barcinski
Quando recebi o e-mail com o título “Informações importantes sobre sua família”, achei que era mais um daqueles spams picaretas.A mensagem vinha de uma fundação que tentava identificar parentes de vitimas de perseguição nazista que fugiram da Europa em 1940, ajudadas pelo diplomata português Aristides de Sousa Mendes.
A carta que recebi, assinada por uma pesquisadora da Fundação Sousa Mendes, trazia informações detalhadas:
“A família Barcinski foi ajudada por Sousa Mendes. Os nomes que aparecem na lista de vistos são Alicja, Jacek, Maria e Irena Barcinski, assim como Henryk Elsner, que, acreditamos, era parente de Irena (…)”
A história era verdadeira. Alicja era minha bisavó. Irena era irmã dela. Henryk era pai delas, meu tataravô. Jacek e Maria, crianças na época, eram sobrinhos de Alicja e Irena.
Ao longo dos anos, ouvi parentes contando histórias sobre a fuga da família para o Brasil, vinda da Polônia. Mas não conhecia detalhes. E nunca tinha ouvido falar de Aristid…