Samy Adghirni
É curioso, mas até aquele momento eu jamais me dera conta do que significava matar um homem saudável e consciente. Quando vi o prisioneiro pisar de lado para desviar da poça d'água, percebi o mistério, a injustiça execrável de interromper uma vida no auge. Aquele homem não estava agonizando, estava tão vivo quanto nós. [...]Ele e nós éramos um grupo de homens caminhando juntos, vendo, ouvindo, sentindo, percebendo o mesmo mundo; e em dois minutos, com um estalo súbito, um de nós partiria --uma mente a menos, um mundo a menos.
George Orwell, "Um Enforcamento"
*
A Manhã nasce escura e quente em Robat Karim, cidade-dormitório 30 quilômetros a sudoeste de Teerã, onde uma pequena multidão começa a se aglomerar em frente à delegacia. Uma barreira de metal separa a massa do estacionamento, e os policiais cercam dois caminhões, cada um deles equipado com um imponente guindaste na carroceria. O burburinho irrompe quando se abre o portão. Homens encapuzados saem do prédi…
É curioso, mas até aquele momento eu jamais me dera conta do que significava matar um homem saudável e consciente. Quando vi o prisioneiro pisar de lado para desviar da poça d'água, percebi o mistério, a injustiça execrável de interromper uma vida no auge. Aquele homem não estava agonizando, estava tão vivo quanto nós. [...]Ele e nós éramos um grupo de homens caminhando juntos, vendo, ouvindo, sentindo, percebendo o mesmo mundo; e em dois minutos, com um estalo súbito, um de nós partiria --uma mente a menos, um mundo a menos.
George Orwell, "Um Enforcamento"
*
A Manhã nasce escura e quente em Robat Karim, cidade-dormitório 30 quilômetros a sudoeste de Teerã, onde uma pequena multidão começa a se aglomerar em frente à delegacia. Uma barreira de metal separa a massa do estacionamento, e os policiais cercam dois caminhões, cada um deles equipado com um imponente guindaste na carroceria. O burburinho irrompe quando se abre o portão. Homens encapuzados saem do prédi…